Gente de Caconde 1

Os olhos vivos destoam tanto da pele flácida dependurada ao seu redor que é como se tivessem sido fincados ali muito tempo antes do nascimento do seu dono. Sêo Delfino olha diretamente para a câmera, tão próximo dela que seu rosto é quase tudo o que aparece no vídeo, e os olhos se arregalam para contar que, na primeira vez em que viu um trator, aos catorze anos de idade, se assustou tanto que ficou doente. “Foi preciso minha mãe me levar na benzedeira”, conta, entre surpreso e envergonhado. Durante seu depoimento, repete muitas vezes que naquela época ninguém tinha brinquedo, não existia brinquedo nem “divertição”. Criança trabalhava e brinquedo era o que eles pudessem fazer com as mãos e muita imaginação, como os carrinhos de boi: um sabugo era o carroção; outro sabugo era o boi; um terceiro sabugo, o segundo boi. Com catorze anos de idade, sêo Delfino conferiu a um trator a honra de ter sido o primeiro, e se não fosse pela benzedeira também o último, automóvel por ele avistado.

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~ por Thaís Emília em 04/04/2010.

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