Crônica fútil

Perder peso é a mais óbvia das obsessões modernas – até quem não precisa quer. Eu estou na direção oposta: quero engordar. Peso 43 quilos e pretendo chegar aos 50, medida que faz meus interlocutores arregalarem os olhos em reprovação: “Também não precisa exagerar, né? Assim você vai ficar gorda!”. Mas eles não precisam se preocupar: eu não engordo um quilo sequer, apesar das tentativas. Ou, quando engordo, perco a troco de nada: uma gripe à-toa, dessas tratáveis com mel-e-limão, só vai embora depois de me levar uns bons centos de gramas, que eu levo semanas para recuperar – quando recupero.

E os entusiastas do peso-pena, que veem neste meu metabolismo atrapalhado um motivo de inveja, me alfinetam o tempo todo para que eu mude de assunto, como se no fundo eu estivesse me gabando das calças que não servem: caem. Eu até pararia de falar disso, mas me sinto na obrigação de contabilizar quanto peso perdi toda vez que um deles, com a maior insensibilidade, vem se lamentar: “Engordei mais de um quilo só neste final de semana!”. Ah, você engordou, é? Pois eu emagreci.

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~ por Thaís Emília em 21/04/2010.

2 Respostas to “Crônica fútil”

  1. Ah, engordar é só uma questão de tempo, principalmente para nós, mulheres. E estes quilos que o tempo traz, eles vêm para ficar. Rs.

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